Máquina corta-e-cose e outras

Recentemente, recebi um email com questões sobre a máquina corta-e-cose, respondi por email, fui verificar as estatísticas do blog e reparei que é uma pesquisa que já conduziu algumas pessoas aqui. Por isso, vou tentar explicar por alto as diferenças entre esta máquina, uma máquina de costura e outras máquinas parecidas.

Eu tenho uma máquina corta-e-cose desde Janeiro de 2010. Quando ela me foi oferecida, senti que era "máquina demais" para mim, que não só não precisava dela como era também uma espécie de "desperdício" tê-la mas muito depressa mudei de opinião. Comecei por adquirir alguma bibliografia e ler sobre o assunto:

Depois deitei mãos à obra, fiz imensas coisas e imensas coisas diferentes, testei a máquina a fundo. É uma máquina que serve para várias coisas mas serve principalmente para rematar o tecido para que este não desfie, fazer certos tipos de bainhas e também para coser embora não seja ideal para isto porque é pouco "manobrável". Actualmente, o meu trabalho exige que tenha uma máquina destas e não consigo passar sem ela.


Uma máquina corta-e-cose (surjeteuse em francês, serger em inglês) não é uma máquina de costura. É uma máquina que corta o tecido mesmo antes de o coser de forma a fazer uma bainha perfeita ou um remate perfeito. A lâmina, que pode ser vista nesta fotografia, está situada entre o pé calçador e uma parte plástica da máquina com |LR|| escrito. Com uma corta-e-cose normalmente é possível trabalhar com dois, três ou quatro fios ao mesmo tempo. Ao contrário da máquina de costura, não é "facilmente manobrável", ou seja, coser curvas e certos ângulos é complicado dada a configuração da máquina. Não substitui uma máquina de costura, é complemento desta.

Existe um outro tipo de máquina muito parecida com a corta-e-cose o que pode causar uma certa confusão no início. É uma máquina que se utiliza, entre várias funçõs, para fazer bainhas em t-shirts. Desconheço o nome em português, chama-se recouvreuse em francês e overlocker em inglês. As bainhas feitas por estas máquinas - porque existem máquinas que fazem só bainhas e que não se inserem neste grupo - são as bainhas normais das t-shirts em que do direito se vêem duas costuras paralelas e do avesso os fios estão entrelaçados como num remate de corta-e-cose. É uma espécie de máquina de costura especial para tecido stretch. Nas fotografias em baixo podem ser vistas três máquinas, a máquina de fazer bainhas, a corta-e-cose e a "dupla" que faz ambas as coisas.


Da direita para a esquerda: máquina corta-e-cose (surjeteuse em francês); máquina "dupla" corta-e-cose e  bainhas; máquina para bainhas (surjeteuse-recouvreuse em francês).

Uma máquina corta-e-cose não susbtitui uma máquina de costura tal como uma máquina de costura não substitui a rapidez e a perfeição do trabalho feito numa corta-e-cose. No entanto, com uma máquina de costura é possível fazer quase quase a mesma coisa que com uma corta-e-cose.

Algumas máquinas de costura, como as da marca Bernina, têm um pé calçador especial corta-e-cose.  Conhecendo os preços desta marca, imagino que o preço deste pé calçador seja elevado, o suficiente para compensar mais adquirir uma máquina corte-e-cose do que o pé calçador. Também existe um outro pé calçador, o de surjet ou overlock ou para ponto de luva com um preço normal para um pé calçador e que permite fazer o ponto de luva que serve para rematar o tecido de forma a que este não desfie.

Pés calçadores "corta-e-cose" e para ponto de luva, respectivamente

Se vale a pena adquirir uma máquina corta-e-cose? Tudo depende do trabalho que se tem ou que se prevê vir a ter. No meu caso pessoal compensa e actualmente é-me essencial ter uma. Existem algumas máquinas destas à venda em promoções, costumam ser acessíveis. Tal como as máquinas de costura que se encontram à venda em promoções, são máquinas corta-e-cose que têm as suas limitações mas talvez seja interessante para começar e descobrir se vale a pena ou não investir numa máquina melhor. As máquinas corta-e-cose nem sempre são fáceis de utilizar, à excepção de algumas "automáticas", porque se usam muitos fios - três a quatro costuma ser o normal - e estes para além de terem que ser enfiados, têm que ser regulados tal como a tensão dos mesmos. Embora seja uma questão de aprendizagem e hábito, nem todas as pessoas têm paciência e muitas desinteressam-se da máquina quando se apercebem do trabalho que exige uma boa utilização da máquina.